
Por Mario Guitti, superintendente do IQA
Há poucos dias, durante uma reunião com diversos colegas de profissão, engenheiros que ocupam cargos de gerência e diretoria em diferentes setores da indústria automotiva, me chamou atenção um comentário em que percebi a necessidade de ser mais enfático e constante na orientação que cerca o trabalho desenvolvido pelo IQA em relação à importância da certificação para o mercado brasileiro.
Há poucos dias, durante uma reunião com diversos colegas de profissão, engenheiros que ocupam cargos de gerência e diretoria em diferentes setores da indústria automotiva, me chamou atenção um comentário em que percebi a necessidade de ser mais enfático e constante na orientação que cerca o trabalho desenvolvido pelo IQA em relação à importância da certificação para o mercado brasileiro.
Produtos com qualidade certificada por um organismo de terceira parte são sinônimos de evolução, um ato de cidadania, e deveriam ser adotados de forma voluntária por todas as empresas que dizem ser praticantes da responsabilidade social. O motivo é simples: a certificação minimiza o risco de ocorrerem falhas durante o processo produtivo e, se por acaso o problema ocorrer no campo, facilita a identificação e sua correção – antes mesmo, até, de mais peças irem para a prateleira e chegarem ao consumidor final.
Mas há outras vantagens de proteção para as empresas que as adotam. Isso tem ficado bastante claro no mercado de autopeças neste exato momento, em que vivenciamos uma “invasão” de produtos vindos do outro lado do mundo, a preço muito competitivo e de qualidade ainda duvidosa. Mas, se a qualidade é duvidosa, por que usar? Por causa do baixo custo. Isso sem falar das peças “piratas” que também encontramos no mercado.
Há, porém, formas de se proteger sem necessariamente entrar em uma guerra de preços, mesmo porque esta política não gera bons resultados para ninguém. Aceita pela OMC (Organização Mundial do Comércio), a avaliação da conformidade da qualidade é a forma mais eficaz de nivelar preços, uma vez que quando se investe na produção de autopeças com um padrão normalizado da qualidade, torna-se quase impossível praticar preços muito menores do que a média.
Os profissionais e empresários que encaram a certificação como um custo, e não um investimento na satisfação do cliente e na preservação da vida humana, precisam rever este conceito. Para a grande maioria das indústrias, a conquista da certificação é um passo obrigatório, principalmente para aquelas que comercializam seus produtos no exterior. Afinal de contas, em muitos países, inclusive na China, a certificação é parâmetro obrigatório para iniciar uma negociação.
Esta mudança de cultura é muito importante, tanto que o assunto deveria ser matéria obrigatória nas escolas de engenharia, pois produtos com qualidade certificada são ferramentas de cidadania. Precisamos entender que a segurança do ser humano vem na frente dos resultados financeiros envolvidos nos produtos que fabricamos.
Relação custo-benefício
Assim, é preciso ter bom senso. O investimento em certificação é mínimo se comparado com os benefícios que ela proporciona. O alvo visado pelo governo com o Inmetro é a sociedade brasileira, que vai dispor de um produto mais confiável, com garantia do procedimento para a qualidade, e que atesta a certeza para o seu correto uso.
Esta deve ser a preocupação número 1 das empresas, e para muitas é. Mas, como há aqueles que não têm escrúpulos, precisamos separar o joio do trigo, pois se isso não for feito agora, dificilmente cresceremos nos negócios. E, uma vez que não protegemos nossa sociedade destes maus empresários, também não cresceremos como nação. Ganhar dinheiro não é pecado desde que os esforços sejam canalizados em favor do ser humano.
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